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Ten Days in Woodbourne

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Today I can finally think about those ten days. Those moments, I have tried to save in dozens of pictures. Indeed, the most important impressions of each place are impossible to capture. Places like that have soul and heart... Houses built of mother's cares and father's work. A kindness and love you feel like a warm embrace. Outside, beneath the ice of winter, lay the trails, overgrown, and rugged, heavy with the adventures experienced by young children from springs long ago.  "I would like to see the place you grew up," I told to Chris once (without believing it would actually happen) while he showed me pictures of the snow in his backyard. And the first time I saw snow in my life, it was not disapointing to me, not even for a second. Actually, we did not have the best moment when I was snowboarding for the first time, and, I have to thank Mohib, for all the patience and support (love you, bro! it was a pleasure to meet you and Julia!) Nevertheless, in the...

A ONDA

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  Vemos crescer lenta e constantemente uma onda de ódio. A sua sombra já nos cobre. O ódio já se ergueu além dos prédios e chega à altura das colinas. Eu vejo esse muro massivo de intolerância diante de nós. Dentro deste mar, os tubarões espreitam. Vejo rostos ferozes do outro lado, proferindo ofensas, xingamentos. É a onda que veio lavar o mundo de nós: os desajustados, os anormais, os marginais, os ilegais, os não cordatos, os não evangelizados, os não politizados, os sexualizados, os selvagens...   Somos a última tribo e precisamos ser civilizados ou extintos.   Será que seremos exilados, aprisionados ou massacrados novamente? Fugiremos pro alto dos morros ou pro fundo dos guetos? e como a história chamará este novo holocausto? Que insignia terão os homens de bem na caça às bruxas dos nossos tempos?    Eu sei é  que essa onda cresce, com velhos discursos e novas siglas. A represa ainda resiste, mas por quanto tempo? Por quanto tempo o bom senso, a ...
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É dia dois de janeiro e eu já escolhi minha imagem favorita da virada 2017-2018. Alguém postou a foto sem os créditos. Eu achei linda e quis postá-la na minha timeline. Descobri que a foto de Lucas Landau, tirada na praia de Copacabana, foi publicada na página do jornal "O Globo" hoje cedo. Para não escapar à regra de tudo que se publica, gerou polêmica. "Quem é o menino? Qual a sua situação? Por que se deduz que é pobre, abandonado ou marginalizado?..." Eu, apenas achei esteticamente bonita e pessoalmente tocante, pois me  me fez lembrar da minha própria infância. A infância de um menino pobre: eu, não o da foto. Não sabemos muito do menino ainda mas, verdade ou não, ele inevitavelmente representa o que sua pele deixa interpretar. Ele pode não ser o menino pobre e marginalizado, mas faz pensar nos meninos pobres e marginalizados. Faz pensar em quem aprendeu a assistir as festas de fora, a sentir o cheiro das ceias sem prová-las, a ser invisível entre multidões. ...

A essência.

  O amor é tudo o que dói. É tudo o que cura.   Eu queria amortecer esta pequena angústia antes mesmo de abrir os olhos. Juntei  o que era palpável entre tudo que eu sentia. E tudo o que eu sentia era o amor... desamor, não amor, amor puro, amor lascivo, amor pleno, amor decadente, amor rebelde...    Nos livros de Tolkien, os elfos são seres elevados, sábios, luminosos....os orcs são seres selvagens, cruéis, obscuros. Menciona-se em alguma parte  que os orcs são uma espécie de elfos desgraçados pelo mal.   Assim fazemos com o amor , que é a a base do que somos: o deformamos, o corrompemos. Até ódio é um amor doente. A ganância é o amor por coisas. O vício é o que tenta preencher lacunas que o amor não ocupa. O egoísmo é o amor que não olha para o outro.   Fiquei deitado na cama pensando em qual tipo de amor me dói e como fazer parar de doer.   Percebi que o amor que me dói mais é a saudade. Mas a saudade é apenas a dor de hoje,...
Dá um constrangimento quando eu percebo que tô mal humorado por besteira: uma louça suja, um sinal fechado, uma crítica... É um absurdo eu me sentir um desgraçado quando não acho uma roupa que sirva, uma comida que eu goste... Quando não tem a marca que eu quero, a vaga que eu uso e a coisa toda do jeito que eu sou acostumado. Sinto uma imensa vergonha por cada dia em que nada me alegra. A risada mais gostosa que eu vi hoje foi na boca de um mendigo,pois é, tem gente que sorri sem ter nem dentes e daí eu pergunto: " e pra ti, o que falta pra abrir um sorriso?"

MENTE

Eu me forcei este momento seguro enquanto assistia um filme depois do trabalho. Eu tenho estado confuso, me sentindo vazio e meio sem norte, com a sensação de que preciso descansar a mente. A ironia é que a mente, ela nunca descansa ou dorme.  Li uma vez que ao contrário do que muitos pensam, a gente sonha todas as noites, durante todas as horas do sono. Só não somos capazes de lembrar. Temos toda uma sorte de experiências e sensações inacessíveis, armazenadas no subconsciente. Assim que a mente administra a sua incapacidade de parar: separando o que é útil saber e lembrar do que não é. Pensando agora, acho que toda essa profusão de pensamentos e sentimentos que me vêm em avalanches está intimamente ligada à falta de um sono de qualidade. Honestamente, não me lembro em alguma noite da minha vida adulta que eu tenha dormido profundamente por dez horas consecutivas. Eu pareço não estar dando tempo necessário para minha mente colocar as coisas nas gavetas certas. A mente é uma o...

Uma tristeza só minha

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 Comecei o texto assim: "Basta uma noite um pouco mais fria e a minha tristeza..."; parei. Reli e apaguei o "minha". Reiniciei: " Basta uma noite mais fria e a tristeza...";  parei novamente. Li mais uma vez e percebi que a primeira versão era a mais coerente, pois o sentimento, este que só eu conheço e sinto, merece o pronome. Já que a tristeza, a "minha" tristeza é tão pessoal e intrínseca à minha personalidade e tão nascida das minhas vivências que eu não posso identificá-la com toda e qualquer tristeza. Acho que a tristeza é um nome genérico para muitas sensações, mas só eu  sei o que me pesa nos ombros e o que  me drena a alegria que, no meu entender, é a mente no estado saudável e o espírito no estado de paz. Só eu sei a dor de amar quem não me ama e de não ter o que desejo e de não entender o que me falta. Só eu sei o tamanho da minha saudade e intensidade do meu desespero, do meu abandono... Minha impotência, meus arrependimentos e pesar...