Feliz dia 26!

   Comentei com um amigo uns dias atrás que eu tava me sentindo o Grinch. As coisas do Natal estavam me irritando um pouco(muito!); Mas não é novidade que desde que entrei na vida adulta, eu meio que brigo com meus sentimentos no Natal. Brigo para não exagerar no ceticismo e, embora eu não veja outra razão em datas senão a de nos situar no tempo, eu não tente explicar a cada Natal que o dia sequer corresponde ao aniversário real do Cristo, que não faz sentido decorações de neve em dezembro cá nos trópicos e que o Papai Noel é só o cara que a Coca-Cola vai conseguir substituir pela família de ursos polares nos próximos anos.
   Mas eu gosto de festa, de churrasco, de família, de gente... de forma que remedio o meu mau humor natalino para confraternizar, rir, comer, beber... Mas meu coração insiste em não esquecer que Papai- Noel é um velhinho que quase nunca vem, que Cristo é um coadjuvante na própria festa e que, por algum motivo eu me sinto mais pensativo e solidário no dia do índio do que no prório Natal.
   Ontem, dia 25, foi um dia ótimo! um dos melhores destes último meses. Mas foi hoje no 26, como sempre acontece, que eu pensei no Natal, seus significados ou na falta deles.
   Trabalhei nos meus projetos durante a manhã e finalizei o quarto dos sete contos que irei (fé que irei!) lançar em um livro no ano que vem. Coincidente ou não, este conto é sobre um garoto que não sente empatia, amor ou fé na humanidade... Eu usei algumas coisas que eu sinto e algumas coisas que eu só imagino como seria sentir para criar esse garoto. Mas no final a história que era para ser sobre a maldade humana tornou-se um pouco também sobre o amor humano. Eu coloquei toda a minha crueldade neste personagem e no fim até ele me ensinou sobre o amor. Acho que não importa o que o mundo capitalista ou as religiões ou a nossa veia etílico-festiva tenta fazer do e com o Natal. Também ele tenta ser sobre o amor e tenta passar significado.
   Acho que é sempre válida a tentaiva de ressignificar o amor.
  Acho também que  que quem mantém os olhos abertos e o coração voltado para o bem vai sempre sofrer um pouco com o Natal num mundo que não vai bem... Mas hoje eu trabalhei pelo bem escrevendo sobre o mal e depois fiz almoço para os meus sobrinhos e, logo, vou ver meu afilhado e alguns amigos que não vi ontem. Não por causa das festas, mas porque tenho tempo.
 Jesus nasceu em qualquer dia. Qualquer dia é bom o bastante tanto para a boa revolta quanto para o espírito natalino. Feliz dia 26!




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